O golfinho salta
Conversa sobre um poema para crianças de Fabrício Corsaletti

Ando com saudade do mar. Outro dia, enquanto pulava umas poças d’água de chuva, lembrei da sensação de pular ondas pequenas — e de um poema do Fabrício Corsaletti:
o golfinho salta
onde fica o trampolim?
ele responde: “dentro de mim”
Adoro esse poema, que faz parte do livro para crianças Zoo Zureta (2010). Quando li os versos pela primeira vez, senti choquinhos bons, como ondinhas elétricas. Às vezes, a poesia passa pela gente feito corrente elétrica, como explica Manuel Bandeira em um texto famoso, “Poesia e verso”.
Decorei o poema, de tanto contemplar seus encantos. “De cor” vem do latim cor, cordis = coração. Decoreba tem a mesma raiz, mas o sufixo “-eba” escancara a falta de amor.
Os poemas de Zoo Zureta e de Zoo Zoado (2014) sempre animam as minhas aulas de literatura infantil. Este post é um apanhado de anotações de aulas sobre poesia para crianças, que arranjei em torno do poema “O golfinho salta”. Como é um poema sem título, será invocado pelo primeiro verso.
Antes de mergulhar no poema, duas ou três coisas sobre o Fabrício. Ele é um dos grandes poetas brasileiros contemporâneos. Não sou a única que o põe em tal pódio poetal. Engenheiro Fantasma ganhou o Prêmio Jabuti 2023 de Melhor Livro de Poesia e Livro do Ano. Tudo com maiúsculas, porque é um livro maiúsculo. Nem menciono os contos, crônicas e romances ótimos dele, porque as três coisas já vão virando nove, e você acha fácil mais novecentas mil sobre Fabrício Corsaletti no oceano digital.
Vamos ao poema.
Um golfinho em várias versões
Li “O golfinho salta” pela primeira vez na loja virtual da Companhia das Letras. O poema que você leu neste post foi copiado da página da loja, que, por sua vez, copiou alguns poemas do livro para oferecer como amostra aos leitores. Acontece que o poema transcrito no site comercial da editora é diferente do poema publicado em Zoo Zureta, embora seja o mesmo poema. Por quê?
Na vitrine da loja virtual, “O golfinho salta” aparece depois da capa do livro, de dados sobre a obra (que está esgotada), de um texto de apresentação da editora e de outros três poemas. Reproduzo um pedaço da página para você ter ideia do que estou descrevendo, antes de clicar neste link e ver por si mesma:
Viu “O golfinho salta”, bem no final? Agora, veja-o na página do livro impresso:

Que diferença, né? Na página da loja virtual, o poema aparece em letras minúsculas, com versos alinhados à esquerda, ao fim de uma sequência de outros poemas trasncritos do livro. Na página do livro, o poema aparece em letras maiúsculas, organizadas em linhas que lembram ondas, ao lado de um símbolo difícil de entender — um homenzinho com cabeça de asterisco que parece irradiar ondas eletromagnéticas. Os versos estão em uma pequena faixa, na parte inferior de uma ilustração que toma toda a página de papel.
Minha leitura do poema na página da loja aconteceu num notebook. Primeiro, abri um navegador, procurei o livro Zoo Zureta no Google, escolhi o link do site da Companhia das Letras nos resultados da busca, encontrei a página do livro, e passei os olhos por informações sobre frete grátis e ficha técnica. Depois, rolei a página e li um texto da editora sobre a obra, que termina assim: “Um livro que desperta nos leitores a alegria e o gosto de rir, destinado tanto às crianças em fase de alfabetização como às maiores - o que não impede que os adultos também se deliciem com ele.”.
Pensei um pouco sobre o que seria “despertar o gosto de rir”, matutei a respeito de estratégias de marketing editorial e cheguei, enfim, aos poemas transcritos do livro.
Quando comecei a ler “O golfinho salta”, em letras cinzentas sobre fundo branco (que aumentei na minha tela), todo esse processo (resumido) de leitura, com seus pulos hipertextuais e olhadelas transversais, ainda reverberava na minha cabeça.
A experiência de ler o poema no livro impresso, folheando páginas coloridas e ilustradas, com todos os demais 29 poemas, encadeados em sequência diversa daquela da loja virtual, é bastante diferente. No livro aberto, leio “O golfinho salta” em uma página ímpar, à esquerda de uma página par, onde me chamam a atenção outra ilustração e outro poema: “O polvo/ não é galinha/ para botar olvo”.
Para fazer os versos desse poema caberem em uma única linha, eu os separei por barras oblíquas ( / ). A barra sinaliza a pausa rítmica — o final do verso — que ocorre no formato original do poema. Esse procedimento é usado quando alguém quer transcrever vários versos em uma única linha horizontal, para economizar espaço em, digamos, um post. Eu fiz isso para dar mais um exemplo de como podemos mudar a forma de um poema (e, portanto, o modo como será lido) ao copiá-lo e republicá-lo.
Antes de o livro Zoo Zureta chegar a minhas mãos, li ainda outra transcrição do poema no site da antiga Livraria da Folha. Lá, alguém fez uma resenha curta do livro, que termina com a fusão de “O golfinho salta” com outro poema:

A imagem é um recorte da página completa do site, na qual há outros textos e imagens. Chamo sua atenção para a transformação operada nos dois poemas, que foram fundidos (opa!) em um. Para complicar um pouco mais, o autor da resenha escreve: “Veja abaixo um poema à la Zoo Zureta” — ou seja, o poema não seria do livro, mas feito à moda daqueles do livro. A escolha (acidental?) do termo funciona como lembrete de que o poema transcrito é mudado, diferente do publicado em livro.
Saltos materiais, mutações exponenciais
Na era dos textos impressos, já aconteciam mudanças dramáticas em textos literários que “saltam” de uma publicação para outra. Essas mudanças continuam ocorrendo. Em qualquer exemplar físico de um livro didático de literatura, você vai encontrar poemas modificados (e mutilados) de formas as mais surpreendentes (e deprimentes).
Na nossa era digital, copiar, colar, modificar e publicar textos é facílimo. As mutações em textos literários nas redes digitais se propagam em velocidade e proporções humanamente impossíveis de medir e rastrear. Sem contar os poemas transcritos em camisetas, canecas, muros…
Professores de literatura precisam conhecer poemas como biólogos conhecem animais, para perceber rápido se um texto está fora de seu habitat de origem, se está ferido, se foi enredado em outros textos etc.
Resumindo, vale a pena refletir sobre a importância das materialidades da leitura, assunto constante neste blog. Ler um poema na tela do celular, enquanto as notificações do zap “apitam”, pode ser muito diferente de ler o mesmo poema, pintado na parede de um quiosque à beira-mar, com as ondas quebrando ao fundo. Ler um poema na sequência de um texto crítico que louva a obra e seu autor costuma ser muito diferente de ler um poema que surge solitário em um folheto artesanal.
Correndo o risco de cometer um sincericídio, confesso que prefiro ler “O golfinho salta” na versão da loja virtual da Companhia das Letras. Sou fã dos trabalhos da artista Ionit Zilberman, mas as ilustrações de Zoo Zureta me perturbam. São expressivas e lindas, mas não dialogam bem com os poemas, nas minhas experiências de leitura. As suas experiências, porém, podem ser muito distintas das minhas!
Como as ilustrações são feitas de recortes de papel, pedaços de sucata, restos de tecido e materiais afins, na minha imaginação elas evocam lixo — por mais que eu racionalize o quanto são criativas. Aqueles papéis amassados parecem estar boiando no mar onde o golfinho salta, o que realmente atrapalha a minha leitura. Sei que poemas são construções humanas e artificiais, assim como ilustrações; mas, bichos produzidos com pedacos de metal e plástico são demasiadamente artificiais para mim. Além disso, o poema parece uma legenda da ilustração.
Para piorar, tem aquele homenzinho com cabeça de asterisco. Um texto explicativo no começo do livro informa que Zoo Zureta integra o Projeto Leitura e Companhia, o qual oferece vários “serviços”, entre eles “avaliação on-line do desenvolvimento dos leitores nas habilidades da matriz de referência utilizado pelo Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb)”. Não sei como é com você, mas ler esse tipo de texto antes de poemas desperta em mim não “o gosto de rir”, mas o desgosto de existir.
Sou professora, meu trabalho é justamente promover o desenvolvimento de leitores, inclusive neste blog. No entando… enfiar um homenzinho cabeça-de-asterisco em um poema, com o objetivo de tirar a criança do livro para levá-la a um site, onde ela fará um “quiz “(avaliação de múltipla escolha) sobre o poema é um troço… de naufragar ideais artísticos e pedagógicos. Deve ser rabugice minha, coisa de ostra velha.
Deixo para outro post minhas reflexões sobre esse tipo de produção editorial voltada para políticas públicas de educação. Fica só um aviso aos navegantes: o site do projeto não funciona mais, e o tal homenzinho eletromagnético está à deriva, boiando (afogado?) ao lado do poema.
Se estivéssemos em aula, você discordaria de mim a respeito das ilustrações, do homenzinho, das fontes tipográficas do poema, de tanta coisa mais. A gente teria uma conversona demorada, provavelmente com café. Neste blog, o máximo que posso oferecer é a perspectiva de um bate-papo pelas caixas de comentários. Você acha que os versos em letras maiúsculas e linhas onduladas são criação do autor, da ilustradora, ou de outro profissional? Por que será que poemas de tantos livros para crianças têm sido impressos em caixa-alta, como dizíamos antigamente?
Quem faz um livro? O autor, ou uma equipe de profissionais variados? Que impacto as decisões editoriais têm sobre a produção artística? Conversas oceânicas nos aguardam.
A pulsação do poema
Um poema convida a gente a fazer várias leituras, de preferência em voz alta. É assim que o poema começa a se movimentar e a nos movimentar: dos olhos para os ouvidos, dos ouvidos para os olhos, do mundo externo para o mundo interno e vice-versa. Ou da ponta dos dedos, se o poema estiver em braile, para o fundo da imaginação, e assim por diante… Vamos percebendo a pulsação do poema, que ganha vida com nossa leitura. Todo poema tem um ritmo próprio, como um pássaro ou um golfinho.
Contar as sílabas poéticas dos versos ajuda a entender como o poema pulsa. O processo de contagem tem um nome um pouco estranho — escansão —, mas é muito gostoso de fazer. A gente não separa as sílabas como a gramática ensina, mas como os ouvidos nos guiam. Consideramos o som apenas até a última sílaba tônica (forte) da palavra final do verso, agrupando vogais próximas e ajustando o ritmo para a recitação.
A escansão revela o belo andamento do poema:
o / gol / fi / nho / SAL /ta(5 sílabas)
on / de / fi / ca o / tram / po / LIM (7 sílabas)
e / le / res / pon / de: / den / tro / de / MIM (9 sílabas)
Destaquei cada sílaba forte ao final dos versos para você ver onde a contagem termina. Note que descartei a última sílaba do primeiro verso, porque é átona (fraca). No segundo verso, acontece uma elisão: a palavra “fica” termina em vogal átona (“ca”), que se funde em uma única sílaba poética com a vogal “o” do artigo. Lendo o verso em voz alta, a gente percebe como os sons se fundem.
Os três versos têm métricas diferentes, que aumentam progressivamente. Que efeitos essa progressão matemática (5, 7, 9 ) provoca? Imagino que a organização métrica do poema imita o salto do golfinho: o primeiro verso é curto e rápido, como o início do movimento; o segundo expande as sílabas, como o golfinho expandindo seu corpo no ar; e o terceiro, mais longo, sugere o ápice do salto e a profundidade do mergulho.
Se os versos estão alinhados à esquerda, como na transcrição da loja virtual, vejo nitidamente a progressão métrica, que me lembra uma escadinha: o trampolim. Se os versos estão arranjados em forma de ondas, como no livro impresso… o efeito é outro.
Tem mais: o ritmo de um poema é definido pela alternância entre sílabas fracas e fortes. Vou marcar as fortes (tônicas) em maiúsculas, para o ritmo ficar visível:
o/ gol /FI /nho /SALta
ON / de / FI /ca o / TRAM / po / LIM?
E / le / res / PON / de: / DEN / tro / de / MIM
No primeiro verso, a alternância de duas sílabas fracas e uma forte, seguida de uma fraca e uma forte, dá a sensação de rapidez, de movimento para saltar. As primeiras sílabas átonas funcionam como degraus baixos, que preparam para a subida rítmica.
As batidas do segundo verso caem na primeira (ON), na terceira (FI), na quinta (TRAM) e na sétima (LIM) sílabas poéticas. Você pode argumentar que “trampolim” é uma palavra oxítona, que sua sílaba forte é “lim”… mas acho que o “tram” funciona como um apoio rítmico necessário para a pronúncia (a minha, pelo menos).
Um dos prazeres de apreciar como um poema funciona é debater esse tipo de coisa. Será que você também ouve a alternância entre uma sílaba forte e uma sílaba fraca nesse verso? Que delícia de ritmo, não? Lembra a batida do coração.
E quanto ao ritmo do último verso? É mais lento, né? Dá a sensação de mergulho feito, de estar dentro da água, mexendo o corpo devagar? Será que o ritmo lento dá mais autoridade, mais gravidade para a resposta do golfinho? Serão possíveis essas duas leituras, e mais outras?
Observe como existe uma pausa interna nesse último verso, por causa dos dois pontos:
Ele responde: dentro de mim.
A pausa no ritmo, que chamados de cesura, provoca efeitos muito instigantes. Ela cria um breve silêncio de suspense: o momento em que o golfinho está no ar, antes de dar a resposta… Os dois pontos estão bem no meio do verso, dividindo-o em quatro sílabas poéticas de cada lado. Ou seja, os dois pontos estão dentro do verso como o trampolim está dentro do golfinho.
Note a semelhança dos sons separados pela pontuação. Eles podem ser lidos como ondas sonoras concêntricas, que começam com “de” e se expandem a partir de um ponto central — o lugar externo onde mergulhou o golfinho, o lugar interno de onde o golfinho responde.
Sons de mar e de mim
O poeta sugere a imagem do mergulho sem escrever a palavra “mergulho” no poema. Ele também evoca as ondas do mar sem escrever “ondas do mar”. A palavra “onde”, no segundo verso, lembra “onda”, pela semelhança gráfica e sonora; no terceiro verso, lemos e ouvimos “onde” no verbo “responde”, em uma rima interna que simula o mover das ondas gerado pelos movimentos do golfinho.
Isso é arte poética, leitor amigo. E ainda não apreciamos tudo.
O primeiro verso termina com o som aberto da vogal “a” (”salta”), que sugere expansão, ar… é um som perfeito para realçar a ideia do salto. É também um som diferente de todos os que se repetem no poema, o que fortalece o contraste entre ar e água. Além disso, quando descartamos a sílaba fraca, resta o SAL… característico elemento marítimo. Se o poeta tivesse usado “pula”, em vez de “salta”, o efeito seria outro (e perderia muito da beleza).
Poetas costumam escolher muito bem as palavras e encaixá-las melhor ainda nos versos, considerando (e sentindo) não apenas o que elas significam, mas como elas soam, em sua unidade e em conjunto com as demais, no fluxo do poema.
O ritmo também é construído pela repetição harmônica de sons vocálicos, que chamamos de assonância, e de sons consonantais, a aliteração.
Perceba como se repetem as vogais fechadas e nasais (I/IM). Na fonética, o “i” é a vogal mais alta e aguda — escolha ótima para um poema sobre salto. A melodia do ritmo sobe a pontos mais altos quando lemos “golfinho”, “trampolim”, “mim”. Outro efeito bonito: o som “in”, semelhante a “im”, está dentro da palavra “golfinho”, reforçando a ideia de que o “trampolim” está dentro de “mim” — o “mim” é o próprio “trampolim”.
A repetição de sons nasais (IN, EN, AM, ON) é essencial para a melodia do poema e para as imagens projetadas por ele. O ar passa pela boca e pelo nariz, quando produzimos sons nasais. Que efeitos esses sons provocam? O que acontece com nossa respiração, quando mergulhamos? Perguntas assim ajudam a pensar sobre a construção do texto poético e a entender como nos sentimos ao lê-lo.
Saltos e mergulhos na poesia
A esta altura, você talvez esteja pensando que leitura de poesia pode ser atividade muito criativa. Realmente pode, e geralmente é. Um poema só ganha vida, sentidos e movimentos na imaginação do leitor, que, por sua vez, é movido pelo poema.
A relação é recíproca: se entro no poema sem pressa, como quem entra aos poucos no mar, com os sentidos aguçados para sentir a água, a areia, os peixes, as conchas, a luz refletida na espuma das ondas, o poema entra em mim também aos poucos, e se expande na minha paisagem interior, conforme os elementos que encontra nela.
A minha paisagem interior — o meu imaginário — é único, porque composto das minhas fantasias, conhecimentos, experiências de vida, de leitura, de tudo. O imaginário de uma criança obviamente é diferente do meu. E do seu.
Eu posso ensinar uma criança a entrar no mar, a usar técnicas para nadar, boiar e mergulhar, e equipamentos como óculos, snorkel, nadadeiras, para ver melhor as belezas marítimas, para distinguir seus elementos e peculiaridades. Também posso ensinar uma criança a entrar em um poema, com técnicas e equipamentos que lhe permitam apreciar melhor a experiência. Técnicas como fazer escansão, reconhecer assonâncias, interpretar metáforas.
A gente pode apreciar a superfície do mar — e de um poema — de longe, na segurança da areia, e/ou apreciar as suas profundezas e mistérios mergulhando nele (sem se afogar). Podemos curtir o mar e o poema pela perspectiva de outra pessoa, por nossa própria vivência, por ambas as possibilidades.
Ninguém exige de uma criança os conhecimentos de um campeão de natação ou de um mergulhador profissional. Ninguém deveria exigir de uma criança, ou de um adolescente, os conhecimentos de um leitor profissional de poemas, de um campeão da análise literária. Por mais absurdo que isso pareça, porém, muitas avaliações escolares exigem respostas parecidas com as produzidas por críticos de carteirinha.
As técnicas e possibilidades de leitura que mostrei até aqui podem e devem ser ensinadas aos poucos, ao longo dos anos, em muitas expedições de leitura, que explorem múltiplos poemas nos muitos equipamentos de leitura existentes, de lousas e livros impressos a celulares e canecas.
Leitores adultos e experientes podem discutir as imagens de “O golfinho salta” em diálogos do tipo:
— Acho que o poema tematiza o contraste entre a lógica humana, que busca suportes externos, como o trampolim, e a natureza instintiva, que encontra a potência internamente…
— Não sei… para mim, o poema representa a força motriz orgânica como metáfora da autonomia.
— Pessoal, não é uma epifania sobre o poder da vontade e da superação?
Com termos assim cabeludos, a discussão vai longe, até, quem sabe, uma pizza. Ou um artigo acadêmico.
Crianças leitoras vão expressar de outras maneiras, provavelmente mais criativas e divertidas, como entendem o poema e o que sentem ao lê-lo. “O golfinho salta” e os poemas de Zoo Zureta realmente provocam risos, como promete o texto da editora.
Curtir as ondas de riso, ou de choquinhos bons, reverberando após a leitura de um poema, já vale como mergulho artístico ou experiência estética. Não precisa haver avaliação escolar imediata ou mesmo futura.
Um “quiz” em hora errada pode matar o “quero mais”.
O querer mais é um trampolim.
Se você gostou do poema “O golfinho salta”, recomendo que leia todos os livros de Fabrício Corsaletti, um grande poeta brasileiro.
Quer aprender mais sobre análise de poemas? Leia De cabeça para baixo e Cambalhota, de Ricardo da Cunha Lima, nos quais você vai encontrar excelentes explicações sobre poesia, na sequência de poemas excelentes para crianças.
Descoberta da poesia: uma introdução à leitura poética, de Fernando Paixão, é uma nova versão de seu clássico O que é poesia, publicado pela Brasiliense em 1983. Comprei uma edição desse livro lá por 1987, que carrego como um talismã. Descubra e redescubra poesia com Paixão.
P. S. Estava revisando este post quando li o alerta apocalíptico publicado no X por Mrinank Sharma, ex-chefe de segurança da Anthropic. Ele diz que o “mundo está em perigo” por causa dos avanços da Inteligência Artificial e outras crises em cascata. Pediu demissão e avisou que vai se dedicar ao estudo de… poesia.
Anthropic é a empresa dona do Claude, a principal IA usada pelo Pentágono.
O engenheiro salta. Onde ficam os freios?



