Aprendi muito com seu texto! Precisamos demais que as discussões sejam baseadas em pesquisas melhores, que tragam mais matizes, que lutem contra essa simplificação e superficialidade reinante.
Muito obrigada, Enor! Também acho que precisamos de pesquisas melhores, que tragam mais matizes… é bom poder trocar ideias no substack, onde os textos podem ser mais longos e menos simplistas.
Professora, como é bom te ler por aqui! E, realmente, estudar Lobato é se deparar com uma figura contraditória e diversa, bem humana demasiadamente humana - segundo Nietzsche (não a toa era o filósofo de que ele mais mencionava pelo que me lembro, rs). São muitos os Lobatos e é muito redutor limitá-lo a uma coisa só.
Que texto maravilhoso. Fico preocupada com o que está acontecendo com a interpretação das pessoas, a pressa e a superficialidade. Consigo imaginar alguém há cem anos com o mesmo discurso, mas hoje temos IA e telas que rolam feeds infinitos... só consigo pensar em distopia.
Um dos participantes do livro do Saci: o resultado de um inquérito, foi Manoel Lopes de Oliveira Filho (ou Manequinho Lopes - ficou conhecido pelo apelido que odiava). Trabalho em um museu que trata da família dele, e tem esse livro de Lobato lá, pois eram muito amigos. Se for de SP, fica o convite> Museu Vicente de Azevedo, no Ipiranga :)
Helen, muito obrigada! Também me sinto em uma distopia... é muito bom poder dialogar por aqui, renova esperanças. Faz tempo que tenho vontade de conhecer o Museu Vicente de Azevedo, e agora tenho a melhor das justificativas para visitá-lo! Vai ser bacana conversar ao vivo. :-)
Cilza, obrigada por esse presente generoso. O seu texto é um exercício reflexivo e discursivo precioso para se pensar e discutir literatura em suas relações com a História e a sociedade. Aí nesse "balaio" entra tanta coisa que tem a ver com a criação e recepção literária! O aniversário é de Lobato mas quem ganha o presente somos nós, leitores de montros-mestres ou mestres-monstros, todos necessários à complexidade do pensamento humano que resultam em inteligências nada artificiais. Parabéns!
Que lufada de ar fresco - obrigado! Sou dos que gostavam das reinações do Lobato, aprenderam que não podia (com aquele texto, que continuo achando importante, da Ana Maria Gonçalves) e deixaram de lado. Agora, com essa tela mais completa, ainda não decidi muito bem se pode ou não pode gostar. Mas também talvez esse ponto da dúvida seja um bom lugar pra se passar uma temporada.
Obrigada, Geraldo! Também acho o texto da Ana Maria Gonçalves (de quem sou fã) muito importante. Meu objetivo era propor reflexões sobre as dificuldades de interpretação de documentos, que sempre são seletivas, ancoradas em perspectivas, repertórios, biografias singulares... dificuldades que ocorrem quando investigamos qualquer pessoa do passado que tenha deixado alguns papéis (ou gravações) e seja considerada digna de debate hoje. O ponto de dúvida é mesmo um ótimo lugar para passar uma temporada.
Muito, muito obrigada por deixar seu texto sair da gaveta! Há milhares de coisas que não sabia! Sempre desgostei das críticas à obra de Monteiro Lobato, e graças ao que você compartilhou, tenho mais motivos para continuar desconfiando que a pecha de racista veio de um desejo absurdo de quem a plantou de ser "transgressor". É pena que a leitura torta que se popularizou vai continuar fazendo estrago.
Me deu vontade de reler toda a coleção. Obrigada também por isso!
Muito obrigada! Há trechos racistas, mas há uma grande mudança na obra lobatiana ao longo do tempo... e quando a gente lê os autores contemporâneos a ele, percebe o quanto seus livros foram extraordinários.
Sou da geração de crianças que teve em Monteiro Lobato seu escritor maior. Como diz você "os livros de Monteiro Lobato são tão importantes para a literatura infantil como os de Machado de Assis para a literatura dirigida a adultos." Ouso completar: os livros de Monteiro Lobato foram importantes para toda uma geração de escritores, tanto de livros infantis quanto "adultos".
Não tenho erudição e conhecimentos suficientes para avaliar todas as suas afirmações, mas foi muito importante para mim ler seu "textão". Mas nada mais válido do que o comentpario "Se eu seleciono apenas os documentos de teor racista para reconstituir o “verdadeiro” passado de Lobato, farei um tipo de interpretação. Se reúno apenas documentos sem teor racista, farei interpretação completamente diferente." Vale para Lobato e para muita coisa mais. Foi muito útli essa leitura, obrigada.
Muito obrigada, Sonia. Realmente, Lobato foi um escritor muito importante para adultos. Eu precisaria fazer mais muitos textões para tratar de contos como Negrinha, O bugio moqueado, Marabá e tantos outros. Os artigos, a crítica, os livros de não-ficção, a imensa correspondência, os prefácios, conferências, trabalhos editoriais, traduções e mais mil produções não caberiam em cem posts do substack. Por isso, também, é tão difícil debater a obra e a vida de Monteiro Lobato com seriedade. Só as referências bibliográficas dariam um texto enorme... mas fico feliz que esse meu apanhado tenha sido útil a você. :-)
Oi, Cilza, tudo bem? Que texto maravilhoso, muito obrigado por compartilhar! Parabéns por todos os seus argumentos, estudos e referências trazidas aqui. Eu faço parte daquele grupo cada vez mais reduzido que acha Monteiro Lobato complexo demais para ser julgado e cancelado (!) dentro desta lógica binária das redes. Uma coisa que lamento bastante foi Lima Barreto ter partido tão cedo, pois penso que ele e Lobato poderiam fazer grandes coisas - e foi o escritor carioca quem chamou a atenção para o estereótipo em torno do Jeca Tatu, não? Muito grato pelo seu texto. Um abraço!
Que texto maravilhoso! Gracias pela inteligência em concatenar tantos fatos. Só adiciono um tempero decolonial e antirracista saído da obra de Lobato: a Tia Nastácia derrotando o Minotauro através da delícia de seus bolinhos...
Obrigada, Ronaldo! Ótima lembrança: Tia Nastácia derrota o Minotauro com bolinhos… e Dona Benta denuncia o horror da escravidão na era de ouro grega, debate temas complexos de igual pra igual com Sócrates… Aspásia ganha um protagonismo enorme, que nem de longe tem na história grega… mas o que mais me encanta é a mensagem subversiva que corre ao longo de todo o romance: não era a primeira vez que tia Nastácia tinha sido raptada por monstro e levada para um lugar que não conhece, pra fazer serviços como cozinhar… ela era de Angola, como explica Dona Benta aos gregos, ressaltando que precisa encontrar a “amiga”. Quando Pedrinho diz a Tia Nastácia que foi “salva” do Minotauro para continuar cozinhando para os pica-pau, até o fim da vida, a provocação de Lobato se torna bastante incômoda para leitores: afinal, quem são os monstros? É um romance de grande polifonia, polissemia e mais multiplicidades… agradeço seu tempero decolonial e antirracista.
Essa imagem da Tia Nastácia com o Minotauro - que por sinal também era negro… (mas enfim, não sei se havia touros brancos em Creta - apareceu no meu feed do Insta outro dia, vindo da primeira adaptação para a TV. Eu tinha um medo desse Minotauro gordo! Estou sem os livros aqui, não lembrava que também aparecia no texto do Lobato. Que, de fato, era muito subversivo: aquele conto “Negrinha” é totalmente antirracista, só sendo cego pra não ver. Gracias pelo texto, mandei pros meus alunos de escrita ;)
Oi, Jaime! Muito prazer e muito obrigada. Também acho que Lima Barreto partiu tão cedo, e depois de tanto sofrimento. Ele chamou a atenção do Lobato, sim, para o estereótipo do Jeca... os dois tiveram conversas bem complexas (e cheias de fofocas daquelas terríveis) por cartas. Lobato foi revendo e mudando muito a posição sobre o Jeca e, acredito, o racismo. Acho bonito que ele mesmo ajudou a datilografar o romance do Lima, que tinha letra difícil de ler, e pessoalmente cuidou para que o livro saísse o mais bem editado e bonito possível. Um livro super antirracista e anti-eugenista... obrigada pelo papo.
Aprendi muito com seu texto! Precisamos demais que as discussões sejam baseadas em pesquisas melhores, que tragam mais matizes, que lutem contra essa simplificação e superficialidade reinante.
Muito obrigada, Enor! Também acho que precisamos de pesquisas melhores, que tragam mais matizes… é bom poder trocar ideias no substack, onde os textos podem ser mais longos e menos simplistas.
Professora, como é bom te ler por aqui! E, realmente, estudar Lobato é se deparar com uma figura contraditória e diversa, bem humana demasiadamente humana - segundo Nietzsche (não a toa era o filósofo de que ele mais mencionava pelo que me lembro, rs). São muitos os Lobatos e é muito redutor limitá-lo a uma coisa só.
Querida Lorena, ter você como leitora é um luxo! Que bom te encontrar aqui. Obrigada!
Que texto maravilhoso. Fico preocupada com o que está acontecendo com a interpretação das pessoas, a pressa e a superficialidade. Consigo imaginar alguém há cem anos com o mesmo discurso, mas hoje temos IA e telas que rolam feeds infinitos... só consigo pensar em distopia.
Um dos participantes do livro do Saci: o resultado de um inquérito, foi Manoel Lopes de Oliveira Filho (ou Manequinho Lopes - ficou conhecido pelo apelido que odiava). Trabalho em um museu que trata da família dele, e tem esse livro de Lobato lá, pois eram muito amigos. Se for de SP, fica o convite> Museu Vicente de Azevedo, no Ipiranga :)
Helen, muito obrigada! Também me sinto em uma distopia... é muito bom poder dialogar por aqui, renova esperanças. Faz tempo que tenho vontade de conhecer o Museu Vicente de Azevedo, e agora tenho a melhor das justificativas para visitá-lo! Vai ser bacana conversar ao vivo. :-)
Oi Cilza, obrigada por compartilhar parte da sua pesquisa, aprendi um tanto lendo seu texto. Até!
Obrigada, Ana Luisa! Até!
Cilza, obrigada por esse presente generoso. O seu texto é um exercício reflexivo e discursivo precioso para se pensar e discutir literatura em suas relações com a História e a sociedade. Aí nesse "balaio" entra tanta coisa que tem a ver com a criação e recepção literária! O aniversário é de Lobato mas quem ganha o presente somos nós, leitores de montros-mestres ou mestres-monstros, todos necessários à complexidade do pensamento humano que resultam em inteligências nada artificiais. Parabéns!
Se houver um texto melhor sobre o assunto , desconheço. Irei imprimir e colocar na parede para sempre reler. PARABÉNS!!! 👍
Puxa vida, muito obrigada! De meu lado, vou sempre reler seu comentário, que muito me animou. :-)
Que texto maravilhoso! Precisamos de mais discussões como essas e de mais professoras como a senhora. 🥰
Obrigada, Kaique! Ganhei o dia. 🥰
Que lufada de ar fresco - obrigado! Sou dos que gostavam das reinações do Lobato, aprenderam que não podia (com aquele texto, que continuo achando importante, da Ana Maria Gonçalves) e deixaram de lado. Agora, com essa tela mais completa, ainda não decidi muito bem se pode ou não pode gostar. Mas também talvez esse ponto da dúvida seja um bom lugar pra se passar uma temporada.
Obrigada, Geraldo! Também acho o texto da Ana Maria Gonçalves (de quem sou fã) muito importante. Meu objetivo era propor reflexões sobre as dificuldades de interpretação de documentos, que sempre são seletivas, ancoradas em perspectivas, repertórios, biografias singulares... dificuldades que ocorrem quando investigamos qualquer pessoa do passado que tenha deixado alguns papéis (ou gravações) e seja considerada digna de debate hoje. O ponto de dúvida é mesmo um ótimo lugar para passar uma temporada.
Muito, muito obrigada por deixar seu texto sair da gaveta! Há milhares de coisas que não sabia! Sempre desgostei das críticas à obra de Monteiro Lobato, e graças ao que você compartilhou, tenho mais motivos para continuar desconfiando que a pecha de racista veio de um desejo absurdo de quem a plantou de ser "transgressor". É pena que a leitura torta que se popularizou vai continuar fazendo estrago.
Me deu vontade de reler toda a coleção. Obrigada também por isso!
Muito obrigada! Há trechos racistas, mas há uma grande mudança na obra lobatiana ao longo do tempo... e quando a gente lê os autores contemporâneos a ele, percebe o quanto seus livros foram extraordinários.
Sou da geração de crianças que teve em Monteiro Lobato seu escritor maior. Como diz você "os livros de Monteiro Lobato são tão importantes para a literatura infantil como os de Machado de Assis para a literatura dirigida a adultos." Ouso completar: os livros de Monteiro Lobato foram importantes para toda uma geração de escritores, tanto de livros infantis quanto "adultos".
Não tenho erudição e conhecimentos suficientes para avaliar todas as suas afirmações, mas foi muito importante para mim ler seu "textão". Mas nada mais válido do que o comentpario "Se eu seleciono apenas os documentos de teor racista para reconstituir o “verdadeiro” passado de Lobato, farei um tipo de interpretação. Se reúno apenas documentos sem teor racista, farei interpretação completamente diferente." Vale para Lobato e para muita coisa mais. Foi muito útli essa leitura, obrigada.
Muito obrigada, Sonia. Realmente, Lobato foi um escritor muito importante para adultos. Eu precisaria fazer mais muitos textões para tratar de contos como Negrinha, O bugio moqueado, Marabá e tantos outros. Os artigos, a crítica, os livros de não-ficção, a imensa correspondência, os prefácios, conferências, trabalhos editoriais, traduções e mais mil produções não caberiam em cem posts do substack. Por isso, também, é tão difícil debater a obra e a vida de Monteiro Lobato com seriedade. Só as referências bibliográficas dariam um texto enorme... mas fico feliz que esse meu apanhado tenha sido útil a você. :-)
Oi, Cilza, tudo bem? Que texto maravilhoso, muito obrigado por compartilhar! Parabéns por todos os seus argumentos, estudos e referências trazidas aqui. Eu faço parte daquele grupo cada vez mais reduzido que acha Monteiro Lobato complexo demais para ser julgado e cancelado (!) dentro desta lógica binária das redes. Uma coisa que lamento bastante foi Lima Barreto ter partido tão cedo, pois penso que ele e Lobato poderiam fazer grandes coisas - e foi o escritor carioca quem chamou a atenção para o estereótipo em torno do Jeca Tatu, não? Muito grato pelo seu texto. Um abraço!
Que texto maravilhoso! Gracias pela inteligência em concatenar tantos fatos. Só adiciono um tempero decolonial e antirracista saído da obra de Lobato: a Tia Nastácia derrotando o Minotauro através da delícia de seus bolinhos...
Obrigada, Ronaldo! Ótima lembrança: Tia Nastácia derrota o Minotauro com bolinhos… e Dona Benta denuncia o horror da escravidão na era de ouro grega, debate temas complexos de igual pra igual com Sócrates… Aspásia ganha um protagonismo enorme, que nem de longe tem na história grega… mas o que mais me encanta é a mensagem subversiva que corre ao longo de todo o romance: não era a primeira vez que tia Nastácia tinha sido raptada por monstro e levada para um lugar que não conhece, pra fazer serviços como cozinhar… ela era de Angola, como explica Dona Benta aos gregos, ressaltando que precisa encontrar a “amiga”. Quando Pedrinho diz a Tia Nastácia que foi “salva” do Minotauro para continuar cozinhando para os pica-pau, até o fim da vida, a provocação de Lobato se torna bastante incômoda para leitores: afinal, quem são os monstros? É um romance de grande polifonia, polissemia e mais multiplicidades… agradeço seu tempero decolonial e antirracista.
Essa imagem da Tia Nastácia com o Minotauro - que por sinal também era negro… (mas enfim, não sei se havia touros brancos em Creta - apareceu no meu feed do Insta outro dia, vindo da primeira adaptação para a TV. Eu tinha um medo desse Minotauro gordo! Estou sem os livros aqui, não lembrava que também aparecia no texto do Lobato. Que, de fato, era muito subversivo: aquele conto “Negrinha” é totalmente antirracista, só sendo cego pra não ver. Gracias pelo texto, mandei pros meus alunos de escrita ;)
Também tinha muito medo daquele Minotauro gordo! Obrigada por divulgar meu texto. :-)
Oi, Jaime! Muito prazer e muito obrigada. Também acho que Lima Barreto partiu tão cedo, e depois de tanto sofrimento. Ele chamou a atenção do Lobato, sim, para o estereótipo do Jeca... os dois tiveram conversas bem complexas (e cheias de fofocas daquelas terríveis) por cartas. Lobato foi revendo e mudando muito a posição sobre o Jeca e, acredito, o racismo. Acho bonito que ele mesmo ajudou a datilografar o romance do Lima, que tinha letra difícil de ler, e pessoalmente cuidou para que o livro saísse o mais bem editado e bonito possível. Um livro super antirracista e anti-eugenista... obrigada pelo papo.